Pedra Bonita

1995

Independente / Biscoito Fino

edição de 1995
Um projeto de Hélio Sigres e Mario Adnet
Produzido por Rodrigo Campello
Concepção, arranjos e direção musical Mario Adnet
Gravado no Estúdio Impressão Digital (RJ), entre novembro e dezembro de 1992
Engenheiros de gravação Marcelo Saboia e Marcos Saboia
Assistentes Geraldo Tavares e Marcello Hoffer
Gravações adicionais nos estúdios Chorus, Cia. dos Técnicos e Transamérica
Engenheiros de gravação Marcos Caminha (Chorus), Ronaldo Lima (Cia. dos Técnicos) e Eduardo Costa (Transamérica)

edição de 2004
Um projeto de Hélio Sigres e Mario Adnet
Produzido por Rodrigo Campello
Concepção, arranjos e direção musical Mario Adnet
Gravado no Estúdio Impressão Digital (RJ), entre setembro

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João Gilberto falou pelo telefone: “Mario, nunca deixe de fazer arranjos para as canções que você gosta”. Discípulo atento, o compositor, violonista, cantor e, naturalmente, arranjador, Mario Adnet jamais deixou de seguir o conselho do mestre. Foi assim que, por volta de 1990, Adnet escreveu um arranjo para o clássico “Maracangalha”, de Dorival Caymmi. Animado com o resultado, arregimentou alguns músicos e fez uma gravação do tema que sua irmã, Maucha, levou em cassete para Tom Jobim escutar, em Nova York. 

Tom gostou tanto que se recusou a devolver a fita a Maucha. Passou a tocar o arranjo de Mario e incorporou-o ao repertório de sua banda nos shows que fazia no Brasil e no exterior. Três anos depois, foi a vez de Mario convidar o maestro para participar de seu primeiro CD, este “Pedra Bonita” que a Biscoito Fino reedita agora, originalmente lançado em 1994, pela BMG japonesa. 

“Ele acabou gravando o arranjo, com algumas modificações, também em seu último trabalho, “Antonio Brasileiro”. Tom vivia me cobrando: cadê o disco? Acabei entregando um exemplar pra ele pouco antes de sua última viagem para Nova York” - conta Mario, que lançou o disco em turnê no Japão, um mês depois da morte do maestro. 

Seguindo o conselho de João, Adnet inclui mais dois arranjos para clássicos da música brasileira em “Pedra Bonita”: “Cadê Mimi”, marcha de Braguinha imortalizada por Mario Reis, e a nonsense “Canção para inglês ver”, de Lamartine Babo. “Sempre curti aquela maneira mansa de cantar do Mario Reis, que influenciou o próprio João. A música do Lamartine eu conheci quando garoto, cantada por um amigo da família, que me ensinou a letra cheia de erros. Optei por gravar como aprendi em homenagem a ele”, destaca Adnet. 

O arranjador abre espaço também para o compositor, de temas e canções. Dentre as instrumentais, o choro “Enviesado”(em parceria com Alberto Rosemblit); o baião “Macunaíma suíte” conta com Jaques Morelenbaum no violoncelo; a peça para piano “Pálida”, com participação de Ivan Lins; o fox “Trote da raposa”, peça para violão composta quando Mario tinha 17 anos; o samba “Pedra bonita”, que dá nome ao disco. 

Adnet apresenta seis canções inéditas, metade em parceira com o poeta Bernardo Vilhena - “Do dia pra noite”; “Vocês querem ouvir jazz”, com voz de Joyce; “GeraldoFla”, com participações de Lobão e Paulo Moura, em homenagem ao craque do Flamengo Geraldo, falecido ainda jovem na década de 70. 

Cláudio Nucci participa de “Quase”, com letra de Carlos Sandroni. 

A parceria com Nucci, “Desafinada”, tem vocais de Maúcha Adnet e piano de Cristóvão Bastos. “Angra”, de Adnet, Rodrigo Campello e Carlos Sandroni traz a cantora Lisa Ono, com quem Mario excursionou no Japão, no lançamento de “Pedra Bonita”. “As pessoas me perguntam se sou instrumentista, cantor ou arranjador. Neste CD, quis mostrar as várias vertentes que cabem no meu trabalho. Como me falou Antonio Adolfo, dá pra fazer um álbum diferente de cada uma das faixas deste disco”, resume. (Julio Mouta - Básica)