Moacir Santos – Ouro Negro

2001

MP / B/Universal - 2001 / Adventure Music - 2004

  1. Coisa nº 5 - nanã (Moacir Santos)

    Coisa nº 5 - nanã

    (Moacir Santos)

    Album details

    Ricardo Silveira guitarra
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernerst Dias flauta e flautim
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  2. Suk-cha (Moacir Santos)

    Suk-cha

    (Moacir Santos)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimrichter órgão
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percurssão
    Jurim Moreira bateria

  3. Coisa nº6 (Moacir Santos)

    Coisa nº6

    (Moacir Santos)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percurssão
    Marçal, Duda e Mario palmas
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  4. Coisa nº8 (Moacir Santos)

    Coisa nº8

    (Moacir Santos)

    Album details

    Milton Nascimento voz
    Ricardo Silveira guitarra
    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimritcher órgão
    Hugo Pilger cellos
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Zé Nogueira sax soprano
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete

  5. Amphibious (Moacir Santos)

    Amphibious

    (Moacir Santos)

    Album details

    Cristóvão Bastos piano
    Bororó baixo elétrico
    Marcelo Costa berimbau
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Zé Nogueira sax soprano
    Nailor Proveta clarinete
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  6. Mãe Iracema (Moacir Santos)

    Mãe Iracema

    (Moacir Santos)

    Album details

    Marcos Nimritcher piano e órgão
    Ricardo Silveira guitarra
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  7. Coisa nº1 (Moacir Santos/Clóvis Mello)

    Coisa nº1

    (Moacir Santos/Clóvis Mello)

    Album details

    Mario Adnet violão e voz
    Eddie Gomez baixo acústico
    Randy Bracker flugelhorn
    Duduka da Fonseca bateria
    Rodrigo Campello violão solo
    Hugo Fatoruso piano
    Maucha Adnet e Chico Adnet vocal

  8. Sou eu (Luanne) (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Sou eu (Luanne)

    (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Album details

    Djavan e Moacir Santos voz
    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimrichter piano elétrico
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percurssão
    Jurim Moreira bateria
    Vittor Santos trombone

  9. Blueishmen (Moacir Santos)

    Blueishmen

    (Moacir Santos)

    Album details

    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimrichter órgão
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Zé Nogueira sax soprano
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  10. Kathy (Moacir Santos)

    Kathy

    (Moacir Santos)

    Album details

    Moacir Santos voz
    Mario Adnet violão
    Marcos Nimrichter piano e órgão
    Zeca Assumpção baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono e flauta
    Jessé Sadoc flugelhorn

  11. Kamba (Moacir Santos)

    Kamba

    (Moacir Santos)

    Album details

    Marcos Nimrichter piano e órgão
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernest Dias flauta
    Zé Nogueira sax soprano
    Teco Cardoso sax barítono e flauta em sol
    Jessé Sadoc trompete
    Vittor Santos trombone
    Paulo Sérgio Santos clarone

  12. Coisa nº 9 (Moacir Santos/Regina Werneck)

    Coisa nº 9

    (Moacir Santos/Regina Werneck)

    Album details

    Ricardo Silveira guitarra
    Marcos Nimritcher órgão
    Hugo Pilger cello
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Nailor Proveta sax alto
    Jessé Sadoc trompete

  13. Orfeu (quiet carnival) (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Orfeu (quiet carnival)

    (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Album details

    Ed Motta voz
    Ricardo Silveira guitarra
    Marcos Nimritcher piano acústico e elétrico
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernest Dias flauta
    Zé Nogueira sax soprano
    Nailor Proveta sax alto
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  14. Amalgamation (Moacir Santos)

    Amalgamation

    (Moacir Santos)

    Album details

    Cristóvão Bastos piano
    Zeca Assumpção baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Zé Nogueira sax soprano
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc flugelhorn
    Vittor Santos trombone

  15. Coisa nº7 (evocative) (Moacir Santos/Mário Telles)

    Coisa nº7 (evocative)

    (Moacir Santos/Mário Telles)

    Album details

    Moacir Santos voz
    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Hugo Pilger cellos
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete

  16. Coisa nº2 (Moacir Santos)

    Coisa nº2

    (Moacir Santos)

    Album details

    Ricardo Silveira guitarra
    Marcos Nimritcher piano
    Jota Moraes vibrafone
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernerst Dias flauta
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc flugelhorn
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  17. Lamento astral (astral whine) (Moacir Santos)

    Lamento astral (astral whine)

    (Moacir Santos)

    Album details

    Moacir Santos voz
    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimrichter órgão
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernerst Dias flautas
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  18. Maracatu, nação do amor (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Maracatu, nação do amor

    (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Album details

    Gilberto Gil voz
    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimrichter órgão
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernest Dias flauta em sol
    Teco Cardoso flauta
    Zé Nogueira sax soprano
    Jessé Sadoc flugelhorn
    Phillip Doyle trompa

  19. Coisa nº4 (Moacir Santos)

    Coisa nº4

    (Moacir Santos)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  20. Coisa nº10 (Moacir Santos)

    Coisa nº10

    (Moacir Santos)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Cristóvão Bastos piano
    Marcos Nimrichter órgão
    Hugo Pilger cellos
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete

  21. Jequié (Moacir Santos/Aldir Blanc)

    Jequié

    (Moacir Santos/Aldir Blanc)

    Album details

    Ricardo Silveira guitarra
    Marcos Nimrichter piano elétrico
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernest Dias flauta em sol
    Teco Cardoso flauta em sol
    Zé Nogueira sax soprano
    Nailor Proveta clarinete
    Phillip Doyle trompa

  22. Oduduá (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Oduduá

    (Moacir Santos/Nei Lopes)

    Album details

    João Bosco voz
    Cristóvão Bastos piano
    Mario Adnet violão
    Zeca Assumpção baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Teco Cardoso sax barítono
    Paulo Sérgio Santos clarone

  23. Coisa nº3 (Moacir Santos)

    Coisa nº3

    (Moacir Santos)

    Album details

    Ricardo Silveira guitarra
    Cristóvão Bastos piano
    Jota Moraes vibrafone
    Jorge Helder baixo acústico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernest Dias flauta
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  24. Anon (Moacir Santos)

    Anon

    (Moacir Santos)

    Album details

    Ricardo Silveira guitarra
    Cristóvão Bastos piano
    Bororó baixo elétrico
    Marcelo Costa berimbau
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  25. Quemesse (Moacir Santos)

    Quemesse

    (Moacir Santos)

    Album details

    Marcos Nimrichter piano
    Ricardo Silveira guitarra
    Bororó baixo elétrico
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Teco Cardoso sax barítono
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  26. De repente, estou feliz (happly happy) (Moacir Santos)

    De repente, estou feliz (happly happy)

    (Moacir Santos)

    Album details

    Joyce voz
    João Donato piano e voz
    Ricardo Silveira guitarra
    Marcos Nimrichter piano elétrico
    Zeca Assumpção baixo
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Jessé Sadoc trompete

  27. Maracatucutê (Moacir Santos)

    Maracatucutê

    (Moacir Santos)

    Album details

    Cristóvão Bastos piano
    Ricardo Silveira guitarra
    Bororó baixo
    Armando Marçal percussão
    Jurim Moreira bateria
    Andrea Ernest Dias flauta
    Zé Nogueira sax soprano
    Nailor Proveta sax alto
    Marcelo Martins sax tenor
    Jessé Sadoc trompete
    Phillip Doyle trompa
    Vittor Santos trombone
    Gilberto Oliveira trombone-baixo

  28. Bodas de prata dourada (Moacir Santos)

    Bodas de prata dourada

    (Moacir Santos)

    Album details

    Sheila Smith voz prelúdio
    Muiza Adnet e Moacir Santos voz
    Cristóvão Bastos piano
    Juliano Barbosa fagote
    Armando Marçal percussão
    Marcos Nimrichter teclado

Album details

Produzido por Zé Nogueira e Mario Adnet
Produção executiva e administração Mariza Adnet
Assistência de produção em estúdio e captação de apoios Laura Carvalho
Arranjos originais Moacir Santos
Gravado nos estúdios AR, Rio de Janeiro em fevereiro e março de 2001
Engenheiros de produção Duda Mello e Marcelo Saboia
Engenheiro de mixagem Duda Mello
Assistente Leonardo Moreira
Gravações adicionais Armando Telles
Assistente Fernando Fishgold
Masterização Carlos Freitas – Estúdio Classic Master (SP)
Assistente Jade Pereira
Fotografia Jeferson Mello
Projeto Gráfico Pós Imagem Design
Designer Assistente Eduardo Varela

os depoimentos de Moacir Santos e Baden Powell para o livreto foram registrados e transcritos por Mario Adnet

Só mesmo o Destino, com os vários nomes que tem, para transformar um negrinho do interior de Pernambuco, nascido menos de quatro décadas após a abolição da escravatura e órfão aos 3 anos de idade, em um dos músicos brasileiros mais reconhecidos, nacional e internacionalmente, em todos os tempos. Pois este é o resumo da história do maestro Moacir Santos, que aos 14 anos nem sabia ao certo sua idade nem a grafia de seu nome. E que, impulsionado por uma força estranha, veio vindo, do interior de Pernambuco para o Recife, do Recife para João Pessoa, de João Pessoa para o Rio de Janeiro, do Rio de Janeiro para Los Angeles e de Los Angeles para o mundo.

Maestro, compositor, arranjador, compositor e saxofonista, Moacir José dos Santos nasceu em Flores do Pajeú, interior de Pernambuco, em julho de 1926. O ano era o mesmo da chegada ao mundo de Miles Davis, John Coltrane, Ray Brown, Melba Liston e do cubano Enrique Jorrín, criador do cha-cha-cha. E era o ano da estréia, no Rio, da Companhia Negra de Revistas e da morte, aos 74 anos, do trompetista, compositor e regente carioca Paulino Sacramento, um dos maiores músicos brasileiro de seu tempo.

Em 1926, o sertão pernambucano andava às voltas com o banditismo de Lampião e com as intenções revolucinárias da Coluna Prestes. E a capital da República via assistir ao nascimento das primeiras agremiações do samba.

Chegada a revolução varguista, o negrinho Moacir era entregue, em sua Pajeú, aos cuidados de uma família branca remediada, que lhe propiciou instrução ginasial e musical. Aos 14 anos, já dominando vários instrumentos de banda, além de banjo, violão e bandolim, fugiu de casa, em busca de novos horizontes – Serrânia, Arcoverde… Recife!

Em 1942 muda-se para o Crato, terra do Padre Cícero, de onde vai para Timbaúba e depois retorna a Recife, para tornar-se, ao tempo em que a influência americana começava a entrar de rijo no Brasil, o “saxofonista negro”, tipo Ben Webster, Coleman Hawkins, Lester Young, pelas mãos mercadológicas dos radialistas Antônio Maria e José Renato.

Depois desse período na Rádio Clube de Pernambuco, Moacir Santos muda-se para João Pessoa, onde chega a sargento-músico da Polícia Militar. Na PRI-4, Rádio Tabajara, é chamado a integrar o conjunto que vai substituir a legendária orquestra de Severino Araújo, de mudança para o Rio (onde brilha até hoje) e para onde Moacir também virá, em 1948, já casado com Cleonice.

Ingressando na Rádio Nacional como saxofonista, o artista freqüenta, também, a grande escola dos bailes, cumprindo o trajeto “banda de música-baile-rádio” feito pela esmagadora maioria dos instrumentistas, arranjadores, regentes e chefes de orquestra afro-descendentes, responsáveis pela linguagem que dominou a vida musical brasileira dos anos de 1930 aos de 1960, no disco, no rádio, no cinema, nos bailes, nos shows e na nascente televisão.

Mas, ao contrário de muitos de seus pares, Moacir Santos nunca descurou dos estudos. Forma-se em regência, estuda com mestres como Cláudio Santoro, Guerra-Peixe, H.J Koellreuter, de quem mais tarde seria assistente, e Ernst Kreneck, com quem navega pelos mares do decafonismo. E tudo isto ao mesmo tempo que trabalha duro, em teatro de revista, como diretor musical de gravadoras e como funcionário da maior emissora do rádio brasileiro de então.

Na Rádio Nacional – das radionovelas e dos programas de auditório – em 1951 Moacir Santos é promovido a arranjador e regente, ao lado de nomes como Radamés Gnatalli, Leo Peracchi, Lirio Panicalli etc, quase todos de origem italiana. E o reconhecimento de seu trabalho vem, efetivamente, na década seguinte, quando, no final de 1960, é eleito por seus colegas da Rádio, “o músico do ano”.

Naquela oportunidade, no célebre programa Gente que Brilha, o saudoso radialista Paulo Roberto, a ele se referia como “modesto menino pobre do estado de Pernambuco que, com esforço, dedicação e talento, tornou-se um dos mais brilhantes maestros da grande equipe de músicos da Rádio Nacional”.

Paralelamente ao trabalho no rádio, o maestro compunha trilhas sonoras para filmes como Seara Vermelha, Ganga Zumba, Os Fuzis e O Beijo, representantes do chamado “cinema novo” brasileiro.

E, depois de aperfeiçoar-se com os mestres, passava a transmitir seus conhecimentos a músicos do porte de Paulo Moura, Sérgio Mendes, João Donato, Raul de Souza, Doum Romão, Bola Sete, Roberto Menescal, Geraldo Vespar, Chiquito Braga, Dori Caymmi, entre muitos outros. A bossa-nova o reconhecia como uma espécie de patrono!

Mas para Moacir Santos, seu trabalho mais importante feito no Brasil foi a trilha sonora do filme Amor no Pacífico (Love in the Pacific), em cuja gravação teve a seu dispor uma grande orquestra composta por 65 excelentes músicos. E foi esse traballho que lhe abriu o mercado internacional e determinou sua transferência para os Estados Unidos, em 1967. Nesse país, gravou discos solo, um deles indicado para o Grammy, deu aulas e compôs trilhas para cinema, construindo uma sólida reputação como compositor, arranjador e docente, membro que é da Associação de Professores de Música da Califórnia.

Segundo a crítica mais abalizada, Moacir Santos produziu, nas décadas de 1960 e 70, a música popular mais sofisticada e ao mesmo tempo mais enraizada nas tradições afro-brasileiras. E essa impressionante trajetória, do músico e do homem, desmente um vaticínio e confirma uma assertiva.

O vaticínio, felizmente desmentido, veio de alguém que lhe disse, aos nove anos de idade, que “quem já toca de ouvido nunca vai aprender a tocar por música”. E a assertiva é do poeta haitiano Jacques-Stephen Alexis, que um dia afirmou: “A Africa não deixa em paz o negro, de qualquer país que seja, qualquer que seja o lugar de onde venha e para onde vá”.

Bendita obsessão!

Nei Lopes, Vila Isabel, março, 2001