Para Gershwin e Jobim – 2 kites

2001

Indie Records

  1. Chansong (Antonio Carlos Jobim)

    Chansong

    (Antonio Carlos Jobim)

    Album details

    Paulo Jobim voz
    Mario Adnet violão e voz
    Marcos Nimrichter piano e acordeom
    Hugo Pilger cello
    Zeca Assumpção baixo
    Tutty Moreno bateria
    Muiza Adnet e Joana Adnet vocais*

    *A melodia do vocal foi escrita para os violinos no arranjo original, e gentilmente cedida por Paulo Jobim.

  2. Rhapsody in blue (George Gershwin)

    Rhapsody in blue

    (George Gershwin)

    Album details

    samba do avião
    (Antonio Carlos Jobim)

    Mario Adnet violão e voz
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Tutty Moreno bateria
    Cristiano Alves clarinete
    Vittor Santos trombone
    Hugo Pilger cello

  3. Two kites (George Gershwin)

    Two kites

    (George Gershwin)

    Album details

    samba do avião
    (Antonio Carlos Jobim)

    Mario Adnet violão e voz
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Tutty Moreno bateria
    Cristiano Alves clarinete
    Vittor Santos trombone
    Hugo Pilger cello

  4. Someone to watch over me (George/ Ira Gershwin)

    Someone to watch over me

    (George/ Ira Gershwin)

    Album details

    Joana Adnet voz
    Mario Adnet violão
    Zeca Assumpção baixo
    Tutty Moreno bateria
    Hugo Pilger cellos
    Zé Nogueira sax soprano

  5. Para Gershwin & Jobim (Mario Adnet)

    Para Gershwin & Jobim

    (Mario Adnet)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Cristiano Alves clarinete
    Vittor Santos trombone
    Jurim Moreira bateria

  6. Valsa do porto das caixas (Antonio Carlos Jobim)

    Valsa do porto das caixas

    (Antonio Carlos Jobim)

    Album details

    Marcos Nimrichter piano
    Mario Adnet violão
    Joana Adnet vocal
    Cristiano Alves clarinete
    Hugo Pilger cello
    Zeca Assumpção baixo

  7. Desafinada (Mario Adnet/Claudio Nucci)

    Desafinada

    (Mario Adnet/Claudio Nucci)

    Album details

    Joyce voz
    Mario Adnet voz
    Marcos Nimrichter piano
    Paulo Guimarães flauta em sol
    Hugo Pilger cello
    Zeca Assumpção baixo

  8. Bate boca (Antonio Carlos Jobim)

    Bate boca

    (Antonio Carlos Jobim)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Tutty Moreno bateria
    Paulo Guimarães flauta
    Cristiano Alves clarinete e clarone

  9. But not for me (George/Ira Gershwin)

    But not for me

    (George/Ira Gershwin)

    Album details

    Joana Adnet voz
    Mario Adnet violão e vocal
    Marcos Nimrichter piano
    Hugo Pilger cello
    Zeca Assumpção baixo
    Tutty Moreno bateria

  10. Acho que vai ficar bom (Mario Adnet/Maucha Adnet)

    Acho que vai ficar bom

    (Mario Adnet/Maucha Adnet)

    Album details

    Mario Adnet violão e voz
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Jurim Moreira bateria
    Vittor Santos trombone

  11. Facinating rhythm (George/Ira Gershwin)

    Facinating rhythm

    (George/Ira Gershwin)

    Album details

    Zé Nogueira sax soprano
    Vittor Santos* trombones
    Mario Adnet violão e vocal
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Jurim Moreira bateria
    *Vittor Santos colaborou no arranjo para trombones

  12. Surfboard (Antonio Carlos Jobim)

    Surfboard

    (Antonio Carlos Jobim)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Marcos Nimrichter piano
    Zeca Assumpção baixo
    Jurim Moreira bateria
    Hugo Pilger cello
    Paulo Guimarães flautas em dó e sol

  13. Xótistrote (Mario Adnet)

    Xótistrote

    (Mario Adnet)

    Album details

    Mario Adnet violão
    Marcos Nimrichter piano e acordeom
    Zeca Assumpção baixo
    Jurim Moreira bateria
    Paulo Guimarães flautas
    Rodrigo Campello guitarra
    Joana e Antonia Adnet vocais

Album details

Direção musical, arranjos e regências Mario Adnet
Produção executiva Mariza Adnet
Gravado e mixado em Pro-Tools 24 Mix, no Estúdio Verde(Rio de Janeiro) entre julho e setembro de 2000
Técnico de gravação e mixagem Rodrigo Matos e Wanderley Loureiro
Supervisão de mixagem Cláudio Guimarães
Masterização e edição Cláudio Guimarães (Combo Music)
Direção de arte, fotos e projeto gráfico Marcão Godoi
Captação de recursos Z5 Produções – Artemídia

UMA “FUSION” ENTRE DOIS GÊNIOS (Ruy Castro)

Os dois aprenderam piano por acaso. O pai de George Gershwin comprara um piano para que Ira, o filho mais velho, estudasse. Mas Ira queria ser poeta e não se interessou.

Então George abriu o piano e já saiu tocando. Com Antonio Carlos Jobim, a mesma coisa: sua mãe alugara um piano para que Helena, irmã mais nova de Tom, aprendesse a tocar. Mas Helena queria ser escritora e quem se fascinou pelo instrumento foi Tom. E ainda há quem duvide de que o destino existe e funciona full-time.

Gershwin e Jobim deixaram cerca de 400 canções cada, das quais pelo menos 100 terão uma linda e longa sobrevida no decorrer deste milênio. Nossos tataranetos ainda ouvirão “Someone to watch over me”, “Fascinating rhythm” e “But not for me”, ou “Samba do avião”, “Desafinado” e “Valsa do Porto das Caixas”, com a mesma emoção com que ouvimos hoje, décadas depois de compostas – talvez porque a música que faziam se destinasse a promover a beleza, a inteligência e a sensibilidade, não a feiúra, a burrice e o embrutecimento. O eterno existe, e Gershwin e Jobim são a prova.

Musicalmente completos, os dois usaram sua sofisticação para fundir a tradição européia e a cultura negra urbana, do que resultou uma terceira força: com os ecos que vinham do Harlem, Gershwin fez a “Rapsody in blue”; Tom também subiu o morro (da Catacumba), é verdade que para namorar, mas por isso pôde fazer Orfeu da Conceição – na sua fase madura, partiu da Bossa Nova para experimentações com ritmos das grotas brasileiras, assim como Gershwin foi fazer Porgy & Bess. Os dois transformaram a matéria bruta do “povo” em produtos acabados, de valor universal e perene.

Agora, coube ao compositor, violonista, arranjador e cantor Mario Adnet explorar o paralelismo desses universos melódicos, harmônicos e rítmicos. Acordes lançados ao espaço por Gershwin encaixam-se, 70 anos depois, nas obras primas de Jobim. De repente, é a “Rapsody in blue” que se transfigura no “Samba do avião”. Ou, então, Adnet incorpora “Surfboard” ao repertório dos piano-rolls dos anos 20, assim como “But not for me” ganha um sotaque Bossa Nova e o choro e o ragtime se misturam em “Bate-boca”. E que bom que Adnet se lembrou de duas grandes canções da última fase jobiniana: “Chansong” e “Two Kites”. A seu lado nesta viagem no tempo, Paulo Jobim, a divina Joyce e a revelação Joana Adnet.

Na próxima vez em que você ouvir falar de “fusion”, já pode esquecer o significado daninho que essa palavra ganhou nos anos 70 com o estupro do jazz pelo rock. Mario Adnet promoveu a “fusion” dos sonhos de todos nós: entre as sensibilidades de dois criadores imortais.

Ruy Castro é escritor, autor de, entre outros, Chega de Saudade – A história e as histórias da Bossa Nova e Ela é carioca – Uma enciclopédia de Ipanema (Companhia das Letras)