Mário fala sobre a repercussão do 24º PMB

O arranjador, produtor, cantor e músico Mario Adnet levou um susto quando viu seu nome concorrendo em duas categorias na 24ª edição do PMB, nas categorias de Melhor Arranjador e Melhor Projeto Especial/Álbum. E a surpresa foi ainda maior ao perceber que ele estava concorrendo consigo mesmo nas duas!

Na categoria de arranjador, ele concorreu com os discos “Amazônia, Na Trilha da Floresta”, “Um olhar sobre Villa-Lobos”, “Vinicius & Os Maestros”.

Na categoria de projeto especial, ele era finalista com os mesmos projetos e em ambos venceu com o álbum “Vinicius & Os Maestros”. Batemos um papo com ele para saber como a premiação repercutiu na sua vida.

Como foi competir com si próprio na 24ª edição do PMB, e ainda numa edição que homenageava Tom Jobim, com quem você tem uma forte relação?

Olha, foi bom e estranho ao mesmo tempo. Sempre estive longe do “mercado”, remando contra a maré. Então ser premiado por trabalhos que estão, de certa maneira, fora da mídia, do rádio e da televisão é sinal de que as coisas estão realmente mudando.

Sinto-me estimulado a continuar investindo nessa música brasileira em que acredito tão bem representada pelo Tom Jobim, reconhecida mundialmente pela sua riqueza e sofisticação.

Conte-nos um pouco da sua relação com a pessoa e a obra do Tom?

Me lembro bem de quando ouvi “Garota de Ipanema” , ainda menino. Foi uma das primeiras músicas que aprendi a tocar no violão. Aí a gente vai ouvindo as outras e entendendo o que é uma obra e como ela se forma, como uma “árvore genealógica”.

Conheci o Tom no final dos anos 70, mas só tivemos mesmo bons encontros musicais a partir de 1992. Foi um privilégio ter estado com ele mesmo por pouco tempo. O mais importante é essa riqueza que ele nos deixou, que com certeza vai durar pra sempre.

Mudou alguma coisa no seu trabalho depois dos prêmios?

Posso sentir um certo aumento do prestígio, com toda a divulgação que foi feita. Continuo trabalhando muito, sempre inventando e pensando muito sobre as mudanças que virão.

Fale sobre os projetos vencedores, do que você mais se orgulha deles?

Bom, os indicados foram três e considero todos vencedores. Os dois prêmios foram para VINICIUS E OS MAESTROS. Gosto igualmente de todos e da maneira como trabalhamos neles. Foram todos gestados em família. Produzimos juntos, eu, a Mariza, a Joana e a Antonia. (esposa e filhas de Mario)

O que mais gosto nisso tudo é juntar uma porção de gente boa, músicos maravilhosos, que é o que faz o resultado. Vou dizer o óbvio: ninguém faz nada sozinho!